sexta-feira, 3 de abril de 2026

Artistas baianas abordam violência e resistência na mostra “Baía de Vozes Insurgentes”

 

Programação ocorre até 5 de abril e traz diferentes linguagens para discutir a condição da mulher na sociedade


Reunindo seis espetáculos autorais, a mostra 
Baía de Vozes Insurgentes traz ao Fringe do Festival de Curitiba uma coletânea de artistas femininas da Bahia que abordam temas como o silenciamento ancestral e a busca pela dignidade. A mostra, idealizada por Camila Guilera e Milena Flick, vai até o dia 5 de abril no Teatro Novelas Curitibanas, com espetáculos com  classificação etária que varia entre livre e 16 anos.

Em conversa com jornalistas no hotel Mabu, após o primeiro dia de mostra, Jane Santa Cruz comentou que estar no festival com essas mulheres é o seu “marco de carreira”. A data foi seu dia de estreia no Fringe, com Golpes do Ventre, apresentado na quinta-feira, 2, às 19h. O solo conta a história de Bárbara, uma mulher que, no ventre da mãe, confronta histórias de violência e ancestralidade. O texto trata do silenciamento que acompanha as mulheres vítimas de violência desde a ancestralidade.


Programação no feriado


Na sexta-feira, 3, Filipa, interpretada por Camila Guilero, expõe uma mulher real que não tem medo de mostrar quem realmente é. A peça se passa na época da inquisição da Bahia, quando Filipa foi perseguida e torturada por se relacionar com outras mulheres. O tempo de pesquisa para a criação levou, segundo a atriz, entre 10 e 15 anos. Segundo ela, a apresentação é frequentemente descrita como impressionante pelos espectadores.


No sábado, 4, haverá dois espetáculos. Às 16h, em 12 HorasJoy Sangolete apresenta um relato sobre o que acontece quando uma mulher chega num hospital com um caso de aborto. A artista explicou que a obra faz parte de seu doutorado e é um local de denúncia e quebra de silêncio social sobre o tema. Mais tarde, às 19h, será apresentado o solo Isto Não É Uma Mulata, de Mônica Santana. A peça aborda questões raciais e o estereótipo da mulher negra.


Fechando a mostra, Alice Cunha se apresenta em Consolo, um Solo de Fêmino-Circense, no domingo, 5, às 16h. O solo multilinguístico mistura circo, dança, música e teatro, revelando contextos de mulheres que apesar das adversidades, mantinham suas dignidades. 


Recepção do público


Márcia Limma, autora de Medeia Negra, descreveu sua vivência no Fringe como “maravilhosa”, com a casa lotada e uma recepção emocionante da apresentação. Márcia ressaltou a necessidade de ainda discutir sobre o tema e a importância do projeto em alavancar as vozes dessas mulheres. O espetáculo está prestes a completar uma década e conta com vozes de mulheres em situação de encarceramento. “Eu sinto muito em dizer que o espetáculo ainda é necessário. Todas nós aqui somos necessárias ainda para estarmos à frente pedindo para que não nos matem. Nos deixem viver com as nossas peles negras”, afirmou a atriz.


As artistas concluíram a conversa ressaltando que as peças nasceram de inquietações de pesquisas artísticas e de vida. Baía de Vozes Insurgentes é uma oportunidade “rara e preciosa” de ter contato com a cena autoral de artistas mulheres do Teatro de Salvador.


Na Mostra Fringe companhias de teatro, circo, música, dança e outras vertentes artísticas participam por meio de cadastro voluntário, separadas por “Mostras”, “Espetáculos de Rua” e pelo “Circuito Independente”. Este ano, a mostra contará com atrações vindas de todas as cinco regiões do Brasil e também promove a terceira edição da “Rodada de Conexões”, ação que reúne e aproxima curadores e programadores de festivais e salas de teatro de todo o Brasil com companhias presentes no Fringe e, também, grupos radicados em Curitiba.


A Mostra Fringe, bem como a Mostra Lucia Camargo e o Interlocuções são apresentados por Lei Rouanet, Prefeitura de Curitiba, Renault, Geely, Petrobras e Sanepar, com patrocínio de EBANX, Copel, Itaipu e Viaje Paraná. A realização é de Paraná Festivais, Hotmilk, PUCPR, Cultura Paraná, Governo do Paraná, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e Ministério da Cultura e Governo Federal - Do lado do povo brasileiro. Confira no site oficial todos os espetáculos que contam com acessibilidade em Audiodescrição e intérpretes de Libras.


Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba.


Serviço:

Mostra Baía de Vozes Insurgentes

De 1º a 5 de abril, no Teatro Novelas Curitibanas

Valores: de gratuito a R$ 40

34.º Festival de Curitiba - Mostra Fringe

Data: De 1/4 até 12/4 de 2026

Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$80  (mais taxas administrativas).

Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).

Verifique a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo.

Confira também todos os espetáculos que contam com acessibilidade em Audiodescrição e intérpretes de Libras.

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Alice Ernsen, especial para o Festival de Curitiba

Foto: 

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