Participam cerca de 60 empresas, entre importadoras e vinícolas, algumas das quais inéditas no Brasil, e 600 rótulos de várias regiões da Itália
Valor das exportações de vinhos italianos para o
Brasil sobe 13,6% nos primeiros dois quadrimestres de 2026
A ICE - Agência para a promoção no exterior e a internacionalização das empresas italianas | Departamento para a promoção de intercâmbios da Embaixada da Itália (ITA - Italian Trade Agency) –, em parceria com as feiras Vinitaly e Wine South America, realiza, nesta sexta-feira (18/9) em Curitiba, a última etapa dos roadshows I Love Italian Wines.
O evento será aberto por Milena Del Grosso, diretora da Agência ICE para o Brasil, e Marcos Milaneze, diretor da Milanez & Milaneze, empresa do grupo Veronafiere | Vinitaly, responsável pela realização da Wine South America.
O ILIW reúne cerca de 60 empresas, entre importadores brasileiros e vinícolas italianas, algumas das quais ainda inéditas no Brasil, que apresentam 600 rótulos a profissionais do mercado, compradores e sommeliers. Os encontros têm como objetivo ampliar o conhecimento do consumidor sobre o vinho italiano e reforçar a imagem da Itália como referência mundial nesse setor.
O ILIW foi aberto no dia 9/9 com uma masterclass apresentada por quatro Italian Wine
Empresas participantes
O I Love Italian Wines traz ao Brasil vinícolas de várias regiões da Itália. É o caso do Vêneto, que reunirá o maior número de empresas: Bettili Wines (também produzi em Friuli-Venezia Giulia e Toscana), Bortolomiol Spa, Cantina Colli Euganei, Contarini Vini & Spumanti, F&A Vineyards, IWB ItaliaSpa, Secondo Marco
Da Campânia virão Agricola Bellaria, Cantina Del Taburno (também presente no Vêneto) e La Guardiense-Janara. Outras três vinícolas do Piemonte - Argea Group (também produz na Puglia, Abruzzo e Emilia-
A Toscana trará ao Brasil os vinhos de Pian Delle Querci, Castelo Monterinaldi, Paladin
As Cantinas Kaltern, Glassierhof
Além das vinícolas italianas, várias importadoras também vão marcar presença no I Love Italian Wines 2026: Aurora, Barrinhas, BWR Importação e Exportação, Casa Flora, Cecconello Vino, Domno do Brasil, Europa Distribuidora, Futura 2, Futuro Importação, Grand Cru, Importadora Qualimais,
Masterclasses
Além da exposição de vinhos, o ILIW contempla também duas masterclasses por cidade.
Hoje, em Curitiba, elas serão conduzidas por Julio Kunz, sommelier, consultor internacional e palestrante, é diretor de vinhos da Academia Brasileira de Sommeliers-RS, foi presidente e atualmente é vice-presidente da ABS-Brasil, além de coordenar o mestrado da OIV – Organização Internacional da Vinha e do Vinho. É Embaixador do Vinho Italiano pela Vinitaly International Academy e especializado em empreendedorismo e negócios internacionais pela MIB Trieste School of Management.
Para a primeira masterclass, Kunz selecionou
Para a segunda delas, sua escolha recaiu por outros sete vinhos:
Em Brasília, as masterclasses foram conduzidas por Mário Márcio Lescano Júnior, Chief Academic Officer da International Sommelier Guild (ISG) e Wine Ambassador pela Vinitaly International. No Rio de Janeiro, as apresentações foram feitas por Marcelo Copello, um dos principais críticos e curadores de vinhos do País. E, em São Paulo, as masterclasses ficaram a cargo de Jorge Lucki, um dos críticos de vinhos mais influentes do Brasil e membro da Académie Internationale du
Exportações de vinhos italianos para o Brasil
O mercado brasileiro de vinhos importados registra uma aceleração na busca por rótulos de maior valor nos primeiros oito meses de 2026. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as importações brasileiras de vinho atingiram US$ 369,8 milhões entre janeiro e agosto desse ano, com alta de 4,3%.
A Itália é uma das líderes dessa expansão entre os principais fornecedores do País: o valor das exportações de vinhos italianos deu um salto de 13,6% entre janeiro e agosto de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, passando de US$ 27,9 milhões para US$
O desempenho coloca a Itália como o país europeu com o segundo maior valor médio FOB por litro exportado para o mercado brasileiro, atrás apenas da França (US$ 10,16). As informações fazem parte do Estudo de Mercado: O Vinho no Brasil, produzido pela ICE – Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas no Brasil | Departamento para a Promoção de Intercâmbios da Embaixada da Itália
O movimento de mercado ocorre em meio a uma reconfiguração na origem das importações: enquanto países produtores de massa, como a Espanha, registraram recuo de 10,9% em volume e6,2% em valor até agosto de 2026, os rótulos italianos se consolidam na categoria premium acessível.
A preferência do consumidor brasileiro regular acompanha esse olhar para a tradição e percepção de qualidade: 77% exigem o fecho com rolha de cortiça natural, enquanto 58% associam a tampa de rosca (screw cap) apenas à praticidade. Do ponto de vista dos canais de distribuição, embora o varejo alimentar físico (supermercados e hipermercados) responda por 86,5% do volume das vendas off-trade, o e-commerce já abocanha 13,5% do mercado total de vinhos no Brasil.
Diversidade do terroir italiano
A Itália abriga um dos mais ricos cenários vinícolas do mundo. De vales alpinos a encostas vulcânicas, de colinas históricas a ilhas banhadas pelo Mediterrâneo, cada uma de suas vinte regiões oferece uma combinação singular de paisagem, castas e tradição. Mais do que um simples país produtor, a Itália é um continente enológico em miniatura. Seu patrimônio vitivinícola revela a convivência harmoniosa entre castas internacionais e variedades autóctones, entre vinhos de fama universal e denominações discretas, mas profundamente autênticas. Conhecer suas regiões é compreender como a cultura do vinho pode assumir formas múltiplas sem perder a unidade de uma grande tradição.
A diversidade geográfica e climática italiana reflete-se na riqueza de seus estilos, uvas e rótulos. O ILIW promete uma verdadeira viagem enológica por várias regiões italianas. Serão cerca de 60 vinícolas do país europeu e importadoras brasileiras que apresentarão mais em torno de 600 rótulos.
Uma dessas regiões é o Vêneto, um dos terroirs mais versáteis e influentes da Itália, reconhecido pelas uvas tintas Corvina, Corvinone e
A Toscana é célebre por grandes tintos à base de Sangiovese e notáveis pela longa capacidade de evolução — Chianti (mínimo 70% no Chianti DOCG e 80% no Chianti Classico), Brunello di Montalcino (100% Sangiovese, com no mínimo 5 anos de envelhecimento) e Vino Nobile di Montepulciano (
Já a Emilia-Romagna combina os estilos frisantes e espumantes típicos da Emília com a tradição vitícola da Romagna. Tem no Lambrusco seu grande ícone regional — tinto leve, levemente efervescente, produzido a partir de um conjunto de castas aparentadas (Grasparossa, Sorbara,
Terra do Barolo (100% Nebbiolo), o Piemonte é uma região que assina uma gama que vai dos tintos de longa guarda — além do próprio Barolo, o Barbaresco (100% Nebbiolo), o Barbera d'Asti DOCG (≥ 90% Barbera) e o Dolcetto d'Alba DOC (100% Dolcetto) — aos brancos e espumantes marcantes do gênero, com destaque para o GaviDOCG (100% Cortese), o Roero Arneis DOCG (100% Arneis) e os aromas de Moscato Bianco que dão origem ao Asti DOCG e ao Moscato d'Asti DOCG.
Abruzzo apresenta o consagrado Montepulcianod'
Friuli-Venezia Giulia é sinônimo dos grandes brancos italianos, que combinam limpidez aromática, textura e elegância em rótulos como o Friulano e a Malvasia Istriana, além de tintos de personalidade (Refosco) e doces raros como o Picolit,.
A Campânia é um terroir de antiguidade e energia vulcânica. A uva Aglianico dá vida a tintos profundos e longevos (como o Taurasi, conhecido como o Barolo do Sul), enquanto uvas como Fiano, Greco e Falanghina geram brancos entre os mais nobres da Itália (Fiano di Avellino, Greco di Tufo e Falanghina).
Outro destaque é a Puglia, região que se destaca por tintos com notas de fruta madura, calor e intensidade. Entre as uvas tintas, destacam-se a Primitivo, a Negroamaro, a Malvasia Nera e a Susumaniello; entre as brancas, sobressaem a Trebbiano Giallo, a Bombino Bianco, a Verdeca e a Malvasia Bianca. Entre os vinhos mais icônicos da região estão o Primitivo di Manduria DOC, o Negroamaro e o Salice Salentino DOC.
Vales alpinos e encostas que dão origem a vinhos de refinamento técnico caracterizam a região do Trentino-Alto Ádige, que produz tintos intensos como o Teroldego Rotaliano DOC (100% Teroldego) e o Lagrein DOC, brancos tensos de Chardonnay, Pinot Grigio, Müller-Thurgau e
Sicília e Lombardia também mostrarão sua produção. A primeira é um mosaico mediterrâneo de solos e climas: brancos sápidos e aromáticos (Grillo, Catarratto, Inzolia) e tintos encorpados (Nero d'Avola), além do histórico Marsala DOC. A segunda combina a sofisticação do espumante e a tradição continental. Entre as uvas tintas, destacam-se a Croatina, a Pinot Nero, a Barbera e a Merlot; entre as brancas, sobressaem a Chardonnay, a Riesling Italico, a Pinot Grigio e a Trebbiano di Lugana. Entre os vinhos mais representativos da região estão o Franciacorta DOCG, Lugana
Úmbria é conhecida por vinhos de expressão intensa, caso do Sagrantino di Montefalco
A Sardenha conserva um patrimônio de castas e estilos muito próprios. Entre os vinhos mais representativos produzidos nessa região estão o Vernaccia di Oristano DOC, o Vermentino di GalluraDOCG (100% Vermentino) e o Cannonau diSardegna DOC (Grenache local).
Tradicionalmente ligado aos brancos dos Castelli Romani, o Lazio combina vocação histórica e diversidade territorial e, entre os vinhos mais representativos da região, estão o Est!Est!Est!
Já as Marche são uma terra de equilíbrio entre mar e colina, onde os brancos alcançam uma expressão particularmente refinada. Entre as uvas tintas cultivadas na região, destacam-se a Montepulciano, a Sangiovese, a Lacrima e a Merlot; entre as brancas, sobressaem a Verdicchio, a Biancame, a Passerina e a Pecorino. Entre os vinhos mais representativos figuram Verdicchio dei Castelli di Jesi DOC, o Verdicchio di Matelica DOCG, o Rosso Conero DOC (≥ 85% Montepulciano), o Lacrima di Morro d'Alba DOC e o Bianchello del Metauro DOC.
Foto: Gladstone Campos


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