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terça-feira, 28 de julho de 2026

Moda deixa de seguir tendências e passa a contar histórias; Forward aposta na curadoria como novo luxo

 

Em Curitiba, a Forward aposta na curadoria para reunir peças que atravessam o tempo e ampliam o debate sobre comportamento, identidade e economia circular



Durante décadas, a indústria da moda ensinou que o desejo estava sempre associado ao novo. Novas coleções chegavam às vitrines em intervalos cada vez menores, enquanto consumidores eram estimulados a substituir roupas antes mesmo de elas perderem a relevância. Hoje, esse modelo começa a dar sinais claros de esgotamento.

Em diferentes partes do mundo, uma nova lógica ganha força. Em vez da busca incessante pelo novo, cresce o interesse por peças que carregam identidade, qualidade e permanência. O consumo deixa de ser guiado apenas pelas tendências e passa a refletir valores, personalidade e propósito.

Essa transformação já provoca mudanças concretas na própria indústria. Desde 19 de julho, empresas de grande porte da União Europeia estão proibidas de destruir roupas, calçados e acessórios novos que permaneceram sem venda. Pela nova legislação, esses produtos devem ser reutilizados, revendidos, doados ou reciclados, fortalecendo a economia circular e reduzindo o desperdício. Segundo a Comissão Europeia, entre 4% e 9% dos produtos têxteis comercializados no continente eram descartados antes mesmo de serem utilizados, prática responsável pela emissão de aproximadamente 5,6 milhões de toneladas de CO₂ por ano.

As mudanças regulatórias acompanham uma transformação que também pode ser observada no comportamento do consumidor. De acordo com o ThredUp Resale Report 2025, elaborado em parceria com a GlobalData, o mercado global de moda de segunda mão deve movimentar US$ 367 bilhões até 2029, crescendo em ritmo superior ao varejo tradicional. O estudo aponta que consumidores, especialmente das gerações mais jovens, têm priorizado peças com maior durabilidade, autenticidade, exclusividade e menor impacto ambiental.

É nesse contexto que surgiu a Forward. Criada em 2023 pelas amigas e sócias Maria Fernanda Peixoto e Carina Campos, a marca nasceu inicialmente como uma plataforma digital de moda circular. Em março deste ano, inaugurou sua primeira loja física no Batel, em Curitiba, levando para o espaço físico uma proposta construída em torno da curadoria e da valorização de peças que permanecem relevantes ao longo do tempo.

Seu ponto de partida é outro: a curadoria.

Embora trabalhe com peças que já tiveram outras histórias, a Forward faz questão de deixar claro que não pretende ocupar o lugar de um brechó tradicional. Cada item passa por uma seleção criteriosa que considera design, qualidade de construção, modelagem, estado de conservação, atualidade e potencial de permanecer relevante ao longo do tempo. Em vez de organizar o acervo por tendências ou temporadas, a proposta é reunir peças capazes de atravessar diferentes momentos, preservando sua qualidade, seu estilo e a capacidade de ganhar novos significados.

"Nunca pensamos a Forward como um brechó. Pensamos em um acervo vivo de moda. Cada peça que chega até nós passa por um olhar muito criterioso. Escolhemos porque continua sendo desejável, bem construída e capaz de ganhar uma nova história. O luxo, para nós, está justamente naquilo que permanece", afirma Maria Fernanda Peixoto.

Essa mudança acompanha uma transformação mais ampla na forma como as pessoas se relacionam com aquilo que vestem. Na psicologia, o conceito de enclothed cognition, conhecido como cognição vestida, demonstra que as roupas influenciam diretamente a maneira como as pessoas se percebem, impactando autoestima, comportamento e confiança. Vestir-se deixa de ser apenas uma decisão estética para tornar-se também uma manifestação da identidade.

Para Carina Campos, esse movimento ajuda a explicar por que a moda circular passou a ocupar um espaço diferente na vida das pessoas. "Hoje nossa cliente não procura simplesmente uma roupa. Ela procura uma peça que converse com sua personalidade. Existe um prazer muito grande no garimpo, naquele instante em que alguém encontra algo único e percebe que aquilo parecia estar esperando por ela. Não vendemos apenas roupas. Revelamos oportunidades, verdadeiros tesouros que continuam fazendo sentido", destaca.

Na Forward, essa visão orienta cada escolha. O conceito da marca parte da ideia de que o tempo não reduz o valor de uma peça, mas amplia sua trajetória. É dessa perspectiva que nasce o lema "Old para uns. New para outros.". Aquilo que um dia ocupou um closet encontra agora outro guarda-roupa, uma nova personalidade, novos significados e novas histórias.

Mais do que acompanhar o crescimento da economia circular, a marca busca ampliar a conversa sobre comportamento, cultura e consumo. Essa proposta se desdobra em iniciativas que extrapolam o ambiente da loja e promovem encontros voltados à reflexão sobre a forma como as pessoas se relacionam com aquilo que vestem.

No próximo dia 5 de agosto, acontece a segunda edição do Forward Sessions, encontro que reúne moda, arte e conversa para clientes e convidados. Nesta edição, o tema será "Usei apenas uma vez. Ainda conta como novo?", com participação do pesquisador de cultura, comportamento e consumo Felipe Machado, mestre e doutor em Design pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), além da artista e ceramista Bruna Dala Rosa, da ESMO, que realizará intervenções ao vivo em peças exclusivas.

A proposta é discutir porque aquilo que compramos nunca representa apenas um objeto, mas também expressa identidade, memória, cultura e comportamento. "Cada escolha diz alguma coisa sobre quem somos ou sobre quem queremos nos tornar. A roupa é apenas o ponto de partida para uma conversa muito maior sobre identidade, memória e consumo. É isso que queremos construir na Forward", afirma Maria Fernanda.

A discussão também deve ganhar novos formatos. A marca prepara o lançamento de um podcast que reunirá convidados de diferentes áreas para conversar sobre moda, comportamento, cultura, identidade e estilo de vida, ampliando reflexões que já fazem parte da proposta da Forward.

Ao acompanhar um movimento que ultrapassa a moda, a Forward se insere em uma discussão cada vez mais ampla sobre permanência, economia circular e as transformações na forma como as pessoas se relacionam com aquilo que vestem. Em um mercado cada vez mais atento à origem, à qualidade e ao impacto das escolhas, aquilo que antes era visto apenas como "segunda mão" passa a representar uma nova maneira de adquirir e valorizar peças, baseada na curadoria, na longevidade e na construção de histórias que continuam fazendo sentido.


Sobre as sócias e curadoras da marca:

Maria Fernanda Peixoto é cofundadora da Forward. Com mais de 25 anos de experiência nas áreas jurídica e de compliance, sempre manteve uma forte conexão com o universo da moda. Atualmente, cursa pós-graduação em Fashion Business pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), onde aprofunda seus estudos sobre gestão, comportamento de consumo e mercado de moda. Na Forward, une sua experiência em estratégia e governança à curadoria da marca e ao desenvolvimento de iniciativas voltadas à moda circular e ao consumo consciente.

Carina Campos é cofundadora da Forward e empresária com atuação voltada ao desenvolvimento de negócios e à construção de marcas. Sua trajetória reúne visão estratégica, gestão e sensibilidade para identificar oportunidades de mercado, aliando planejamento, inovação e atenção à experiência do cliente. Na Forward, participa da definição da curadoria e da consolidação de um modelo de negócio que valoriza autenticidade, qualidade e longevidade das peças, contribuindo para ampliar o debate sobre moda circular, comportamento e consumo.

Foto: Matheus Dias

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Rimon Guimarães assina identidade visual da 14ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba

 

Multiartista representa a força do cinema nacional em sua obra, mostrando um Brasil que insiste, imagina e se reinventa. Olhar de Cinema ocorre de 11 a 19 de junho, com exibições em novos espaços e democratizando ainda mais a sétima arte em Curitiba

Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba divulgou a identidade visual de sua edição 2025. O festival, que segue para sua 14ª realização e que ocorrerá de 11 a 19 de junho, busca apresentar um conceito visual que acompanha seu crescimento a cada ano, assim como sua função social e cultural na disseminação da sétima arte na sociedade.

Para esse desafio, o prestigiado ilustrador Rimon Guimarães foi convidado. O multiartista curitibano, cujo trabalho dialoga com a urbanização, acessibilidade e mídias contemporâneas, já levou seus núcleos para diversos países como Malásia, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Bélgica, Bielorrússia e Síria, iniciando sua carreira com produções e colagens de lambe-lambe, passando por pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, vídeos, instalações, performances e áudio. Apesar do grafite e da ilustração serem seus trabalhos mais reconhecidos, Rimon atua também na música, no design de peças de vestuário e em outras áreas culturais.

Agora, o artista assina a identidade visual da 14ª edição de um dos mais importantes festivais de cinema internacionais do país. A ilustração criada carrega a força do traço ancestral e do gesto coletivo, com figuras que falam de um Brasil que insiste, imagina e se reinventa, quase como um convite à fabulação, à escuta e ao encontro. “ Convidamos o Rimon Guimarães não só por sua linguagem única por meio das artes, mas, também, pelo seu papel de democratização e pluralidade por meio de seus trabalhos, conceitos esses que prezamos no Olhar de Cinema”, explica o Diretor do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba , Antonio Gonçalves Junior.

Novos espaços para exibição de filmes como forma de democratização da sétima arte em Curitiba

Com abertura marcada para o dia 11 de junho, o Olhar de Cinema amplia suas exibições ocupando outros espaços da capital paranaense, sendo a Ópera de Arame e o MON - Museu Oscar Niemeyer, dois dos principais pontos turísticos da cidade, o Cine Passeio, o Teatro da Vila, na Região Metropolitana, o Cine Guarani e a Cinemateca, que retorna como sala de exibição para o festival no ano em que completa 50 anos de história.

 Neste ano, voltamos nossos olhares para dentro, para nossas origens e identidades múltiplas e tecidas de memória e invenção  , complementa Antonio Gonçalves Júnior , diretor do Olhar de Cinema, dando destaque para o cinema nacional.

Para este ano, o Cine Guarani, no Portão, entra no circuito de exibições do festival, com seu espaço renovado, novos equipamentos de projeção e som, ampliando assim o acesso ao festival por toda a comunidade. O auditório Poty Lazzarotto, no MON - Museu Oscar Niemeyer - também é outra grande novidade para esta edição. " O Olhar de Cinema também ocupará o Museu do Olho neste ano, levando uma das principais mostras para um dos grandes cartões postais da cidade. É o Olhar de Cinema no Museu do Olho, no museu do olhar ", explica Gonçalves.

Outro famoso ponto turístico que receberá exibições do festival é a Ópera de Arame, que se tornará uma ampla sala de cinema para a exibição do filme de abertura - a ser divulgada em breve. No último ano, foram mais de 1.500 espectadores presentes na sessão exclusiva, que recebeu uma grande tela de 470 polegadas.

No ano em que completa 50 anos, a Cinemateca regressa para o festival, tendo passado por um processo de reforma e reestruturação, com novos equipamentos de projeção e que prometem tornar as sessões por lá ainda melhores. O Cine Passeio e o Teatro da Vila continuam com exibição de filmes da programação. "O Olhar de Cinema segue com o seu papel na divulgação do cinema independente, ocupando novos espaços na cidade com o intuito de apresentar produções inéditas e grandes pérolas da sétima arte para o público. Além disso, boa parte da programação também será disponibilizada de forma online", finaliza o diretor do Olhar de Cinema, Antonio Gonçalves Jr.

A 14ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba tem produção da Grafo Audiovisual, com realização do Ministério da Cultura – Governo Federal. O projeto foi aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura | PERFÍCIO da Secretaria de Estado da Cultura | Governo do Estado do Paraná. A edição é apresentada pela Rumo Logística, com patrocínio master do Itaú, patrocínio ouro do TCP - Terminal de Contêineres de Paranaguá, patrocínio prata da Solvay Peróxidos e apoio da Sanepar, Adami S/A, do Instituto Rumo, do Projeto Paradiso, do Teatro da Vila, da Cinemateca, do Cine Passeio, ICAC, Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura de Curitiba. Verifique a classificação indicativa de cada filme e as sessões com acessibilidade de audiodescrição e intérpretes de Libras.

A programação completa será revelada em breve. Para mais informações acesse o site oficial www.olhardecinema.com.br ou pelas redes sociais oficiais, pelo Instagram @olhardecinema , pelo Tik Tok @olhardecinema , X-Twitter @Olhardecinema_ e Facebook.com.br/Olhardecinema


Serviço :
14º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba
Data : 11 a 19 de junho de 2025
Site oficial : www.olhardecinema.com.br
Redes Sociais : Instagram: www.instagram.com/Olhardecinema
Facebook : www.facebook.com.br/Olhardecinema
Tik Tok: @olhardecinema ,
X/Twitter: @Olhardecinema_
Realização : Ministério da Cultura - Governo Federal
Apresentação : Rumo Logística
Patrocínio Master: Itaú
Patrocínio Ouro : TCP - Terminal de Contêineres de Paranaguá
Patrocínio Prata : Solvay Peróxidos
Apoio : Sanepar, Adami S/A, Instituto Rumo, Projeto Paradiso, Teatro da Vila, Cinemateca, Cine Passeio, ICAC, Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura de Curitiba
Projeto aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura | PERFÍCIO da Secretaria de Estado da Cultura | Governo do Estado do Paraná
Produção : Grafo Audiovisual

Foto: Leandro Taques.