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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Moda, Poder e Conflitos: O Diabo Veste Prada 2 Atualiza um Clássico

 

O Flash Curitiba, recebeu o convite da Bcbiz Agência de Comunicação de São Paulo,  para participar da cabine de imprensa do mais novo lançamento da Disney , O Diabo Veste Prada 2.

O Diabo veste Prada 2.
Foto: Ale Maya.

 A experiência vai além do entretenimento e dialoga diretamente com os bastidores e os desafios do jornalismo contemporâneo.

Sob a perspectiva de quem vive a comunicação diariamente, a sessão revelou uma narrativa que reflete, de forma sensível e atual, as transformações da profissão: a urgência das redações, a disputa por atenção em meio ao excesso de informação e os dilemas éticos que permeiam decisões editoriais. 

Em diversos momentos, a obra toca em temas como credibilidade, exposição midiática e a linha tênue entre informar e entreter, um retrato bastante fiel do jornalismo nos tempos de hoje.

Se o primeiro longa retratava o universo glamuroso de uma grande revista de moda em seu auge, este novo capítulo atualiza o olhar para o mercado de trabalho e para a sociedade contemporânea. A narrativa mergulha em contextos como reestruturações corporativas após mudanças de liderança, além de crises de reputação potencializadas pela lógica viral das redes sociais , um cenário cada vez mais presente e desafiador.

A construção dos personagens segue como um dos grandes trunfos da obra. Além da dupla sincronizada que conquistou o público e dos figurinos icônicos que marcaram o cinema, o filme entrega camadas mais profundas, revelando vulnerabilidades, conflitos internos e decisões difíceis. 

Quando uma crise de reputação atinge a revista Runway, Miranda se vê obrigada a absorver o impacto de escolhas, um retrato potente sobre liderança, responsabilidade e exposição pública.

E é justamente nesse contexto que o filme amplia sua relevância: ele oferece lições que atravessam qualquer carreira, dentro ou fora das redações ou das passarelas.

Ética, resiliência, posicionamento e adaptação são temas que ecoam ao longo da narrativa.

Do ponto de vista pessoal, eu, Ale Maya, gostei muito do filme. A história é envolvente, instigante e mantém o espectador conectado do início ao fim.

Visualmente, a produção é refinada e reafirma o alto padrão da The Walt Disney Company.

No entanto, como apaixonada por música, senti falta de uma trilha sonora mais ousada e presente. Embora clássicos como Vogue, de Madonna, além de faixas de Dua Lipa e Lady Gaga tragam identidade e reconhecimento imediato, a trilha poderia ter explorado ainda mais a potência sonora que acompanha o universo da moda.

Fica aqui, inclusive, uma sugestão: a criação de uma playlist inspirada nas passarelas icônicas dos anos 2000. Uma curadoria com hits marcantes daquele período, trilhas que embalaram desfiles históricos, carregadas de atitude, batidas eletrônicas e personalidade, enriqueceria a experiência do filme e criaria uma conexão ainda mais forte com a estética proposta.

E, para além das análises técnicas e narrativas, houve um momento que me tocou de forma especial. Em uma cena sensível, Miranda aparece sozinha na Galeria Vittorio Emanuele II, em Milão. 

A atmosfera silenciosa e contemplativa da sequência carrega uma força emocional única, e, pessoalmente, me trouxe lembranças muito afetivas de um tio especial, que tinha o mesmo nome. Foi um daqueles instantes raros em que o cinema ultrapassa a tela e se conecta diretamente com a nossa história.

No balanço geral, a cabine de imprensa foi uma experiência rica, provocativa e inspiradora. Entre reflexões sobre o jornalismo atual, uma narrativa envolvente e momentos que emocionam, o filme cumpre seu papel com elegância: entreter, provocar e dialogar com o presente, e com as nossas memórias, de forma profundamente marcante.

Por: Ale Maya.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Garota do Momento - Minha resenha!

 

Para quem não sabe, sou autora e roteirista de novela, teatro e seriado. Meu primeiro roteiro foi da radionovela Caminhos Cruzados – As pessoas nem sempre são o que parecem ser, um sucesso na Rádio Cultura AM.


Mas hoje, não vim falar da minha história. Vim falar da história de outra autora , que, por sinal, é minha xará: Alessandra Poggi. E que autora! Há anos eu não me emocionava tanto com um enredo como o da novela Garota do Momento.

Um texto poderoso, corajoso e necessário. Poggi nos presenteou com uma trama que aborda temas ainda tão atuais, e infelizmente, ainda tão retrógrados, como sexualidade, racismo, religião, independência da mulher, misoginia, machismo, violência doméstica e a valorização da cultura afro-brasileira. E tudo isso costurado com uma sensibilidade ímpar, uma direção afinada e um elenco absolutamente brilhante.

Beatriz Dourado, nossa heroína, sai de Petrópolis em busca de notícias da mãe, Clarice, uma artista que foi ao Rio de Janeiro divulgar seus quadros e acabou vítima do dissimulado Juliano. Um personagem complexo, que mantinha uma amante (Valéria), teve uma filha (Isabel), e tentou esconder tudo sob a sombra da sua arrogância.

Clarice, que teve sua vida apagada, deixando Beatriz aos cuidados de sua avó, a sábia Dona Carmem, que nunca perdeu a fé em Santa Bárbara.

A família Sobral foi destroçada pelo machismo de Raimundo, que não aceitava a alma livre de artista de Lígia. Os filhos, manipulados contra a mãe, foram vítimas de uma vingança silenciosa , enquanto o amor entre Raimundo e Lígia ainda existia, mesmo sufocado.

Zélia , que personagem! A vilã mais amada dos últimos tempos. Começou movida pela vingança, mas se transformou completamente, ao ponto de dar sua própria vida para salvar Clarice da prisão.

Verônica Queen chegou para virar tudo de cabeça pra baixo… Bia, mimada, achava que podia tudo, especialmente contra Beatriz. Mas a vida cobra.

Guto viveu a dor de se descobrir e se aceitar em uma sociedade preconceituosa – principalmente dentro da própria casa. Iolanda, mãe solteira que gritava: "Ninguém me dá um bife!" , parecia piada, mas era um grito de dor e luta diária.
Ainda bem que Mirosmar lhe deu não só um bife, mas amor.

Basílio, que parecia um canastrão, também teve sua redenção. Enquanto isso, Juliano era o pior tipo de vilão: mimado, manipulador, assassino, que roubava até a própria mãe. Maristela, cúmplice, destruía quem estivesse em seu caminho, inclusive Arlete, que passou anos acreditando numa mentira sobre o paradeiro da filha, Valéria.

E o que dizer de Alfredo Onório Show? Com sua TV Ondas do Mar, criou o primeiro reality da televisão brasileira!

E as impagáveis Conceição e Aparecida? Sempre à janela, ao telefone, e aos cochichos: "Cala-te a boca, Deus tá vendo! Ô, se tá!" saíram no último capítulo da janela, mas só porque a linha telefônica foi cortada, sensacional!

O texto, o elenco, a direção, o figurino, o cenário, a produção de arte, tudo em perfeita sintonia. Um verdadeiro espetáculo!

Obrigada, Alessandra Poggi, por nos fazer rir, chorar, refletir e nos apaixonar por cada capítulo dessa novela tão necessária.

"Que todos se levantem da mesa quando o amor, o respeito e a igualdade não estiverem sendo servidos".

Você é, sem dúvida, A AUTORA DO MOMENTO!