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segunda-feira, 11 de abril de 2022

Festival de Curitiba marca a retomada cultural na capital paranaense com público estimado de 150 mil pessoas

 


40 mil pessoas assistiram as peças da Mostra Lúcia Camargo no evento que marcou a volta do público aos teatros

Mostra de stand-up comedy Risorama.
Foto: Rodrigo Leal.

Com teatros lotados e ocupando as ruas e espaços culturais da cidade, o 30.º Festival de Curitiba encerrou neste domingo (10) com um público estimado de 150 mil pessoas em suas mais de 200 atrações e um saldo de quase 4 mil empregos diretos e indiretos gerados.
 
A Mostra Festival na Rua.
Foto: 
Lina Sumizono.

Além do fomento à economia criativa de Curitiba, e das cidades da região metropolitana que participaram, como São José dos Pinhais, Araucária e Balsa Nova, o 30.º Festival de Curitiba foi um marco da retomada do setor cultural no país em 2022. 


Emicida. Foto: Rodrigo Leal.

Depois de um ano suspenso por causa da pandemia, em 2020, e de uma edição online no ano passado, o Festival de Curitiba contou com a volta do público nos teatros e nas apresentações de rua. Para o diretor do Festival, Leandro Knopfholz, este reencontro entre artistas e plateia foi a grande realização do evento. 

Havia uma avidez do público em assistir de novo um espetáculo dentro do teatro e, de outro lado, a alegria dos artistas em poderem trabalhar novamente diante do público”, disse. 

Quase todas as apresentações da mostra principal, a partir deste ano, chamada de Mostra Lúcia Camargo, tiveram ingressos esgotados. Duas delas: o show “AmarElo” do cantor Emicida e o espetáculo “Abjeto – Sujeito: Clarice Lispector por Denise Stoklos” tiveram que abrir sessões extras devido a grande demanda por ingressos.  

Cerca de 40 mil pessoas assistiram as peças da Mostra Lúcia Camargo, que neste ano mesclou estreias nacionais com peças que já tinham passado pelo Festival em outras edições. 

As atrações do Risorama e do MishMash também tiveram ingressos esgotados e a estimativa da organização é de que 27 mil pessoas assistiram as peças da Mostra Festival na Rua. 

Um dos grandes destaques desta edição que celebrou as três décadas da criação do evento foi a exposição “Viva! 30 anos por Lenise Pinheiro”, que registra 30 anos de história do Festival de Curitiba pelo olhar da fotógrafa que cobriu todas as edições desde 1992. 

A exposição com mais de 400 imagens do trabalho da artista foi montada em vários formatos e espaços culturais, distribuídas por 15 pontos diferentes de Curitiba. A maior parte do material está no vão livre do Museu Oscar Niemeyer (MON) e fica em cartaz até o dia 29 de abril. 

Maior da América Latina 

Atualmente, o Festival de Curitiba é o maior evento de artes cênicas da América Latina. Mais de 900 artistas e 130 companhias e grupos de teatro trabalharam no 30.º Festival de Curitiba que durou 13 dias, de 29 de março a 10 de abril.  

Como a atriz curitibana Guta Stresser, que já atuou em diversas funções do evento desde a sua fundação em 1992 e avalia que o festival transformou a cultura da cidade. 

“Curitiba foi virando outra cidade ao longo destes 30 anos. O festival movimenta a cidade de uma forma profunda. São exposições teatros lotados e gente na rua. É maravilhoso como o festival ocupa a cidade e como a cidade responde e se torna efervescente neste período”. 

Plataforma cultural 

A 30.ª edição do Festival de Curitiba termina neste domingo, mas o trabalho segue com o lançamento de uma plataforma digital própria para o setor cultural: a CACO. O objetivo da ferramenta é conectar profissionais da área e ser um espaço para divulgação de trabalhos, observação das tendências do teatro e novas oportunidades.

A plataforma se inicia como uma rede para conectar pessoas do setor e, com tempo, oferecerá novas soluções, como a realização de cursos e oferta de conteúdo específico. Em um terceiro estágio, a CACO abrangerá o público final - os espectadores - e será também um guia cultural e local para compra de ingressos, entre outras funcionalidades. Com o tempo, a CACO terá mapeamento de salas de teatro, grupos existentes em determinado local, profissionais de cada segmento (atores, iluminadores, sonorizadores, contrarregras, por exemplo), e conectará pessoas e locais.

A partir da CACO, pretende-se criar uma teia de profissionais e espaços e estimular a economia criativa, inicialmente, do mundo do teatro.

“A Plataforma tem um viés econômico muito forte. Queremos que se torne uma mina de recursos de teatro e beneficie a todos os envolvidos na área. As companhias se beneficiarão da plataforma e poderão utilizá-la como uma espécie de depósito virtual do seu repertório", exemplifica Leandro Knopfholz.


sexta-feira, 8 de abril de 2022

A Aforista: teatro como o público nunca viu

 

Peça da Cia Stavis-Damaceno será montada em processo para levar a plateia

 a um lugar diferente do teatro tradicional


A AFORISTA_ Foto Maringas Maciel.jpg
Créditos: Maringas Maciel.


 

“A Aforista” é a pré-estreia do novo trabalho da Cia.Stavis-Damaceno que será apresentado ainda em processo de pesquisa e criação na Mostra Lúcia Camargo durante o 30º Festival de Curitiba. A peça acontece no Teatro Zé Maria dos Santos (Rua Treze de maio, 655, São Francisco) dias 09 de abril às 21h e 10 de abril às 19h.

 

A peça ainda em processo leva o público a um lugar diferente do teatro dramático tradicional, em um momento que normalmente não se vê quando as cortinas abrem, com a presença do diretor na lateral do palco e pronto para possíveis intervenções, numa citação ao lendário diretor polonês Tadeuz Kantor (1915-1990), e quase na fronteira do happening e da performance. 

 

Trata-se da segunda parte de uma trilogia iniciada com “Árvores Abatidas ou Para Luis Melo”, de 2008, escritas sob influência do escritor austríaco Thomas Bernhard (1931-1989).  “Árvores Abatidas é o nosso hit e o apresentamos no Brasil inteiro, em mais de 100 cidades. Depois de 14 anos, decidimos que era hora de voltar à obra dele”, disse Damaceno.  

 

Segundo o autor e diretor, o texto é uma conversa com questões postas por Bernhard, respondendo e contrapondo questões colocadas pelo autor austríaco. Um mergulho na memória e nas possibilidades que cabem numa vida.   Para ele, os textos de Bernhard  se conectam à linguagem da companhia pela “repetição e musicalidade”. 

 

“É uma arquitetura mental de repetição e musicalidade das palavras. São narrativas densas e sôfregas que ficam hilariantes. Pensamentos sublimes e elevados que escorregam para o grotesco, assim como é a vida da gente”, disse. 

 

A atriz Rosana Stavis é a “aforista”, a protagonista que quase foi uma grande pianista, mas não conseguiu e apesar de ter pretensões de ser escritora nunca consegue ir além de algumas boas frases de filosofia barata. No palco, ela fica no meio de um duelo entre dois velhos amigos também pianistas: um reconhecido em vida como um genial virtuose, mas que está à beira da morte e outro que, apesar do talento, não teve sucesso e se suicidou. 

 

Os dois pianos tocados por Sérgio Justen e Fabio Cardoso duelam no palco e dão o tom da narrativa com a trilha criada pelo compositor Gilson Fukushima. A peça tem iluminação de Beto Bruel e figurinos de Karen Brustolin. 

 

A Mostra Lúcia Camargo é apresentada por EBANX, Paraná Banco, New Holland, com patrocínio de ClearCorrect, Vonder, SulAmérica, Novozymes e Governo do Estado do Paraná.


Acompanhe todas as novidades e informações da Mostra Lúcia Camargo do Festival de Curitiba pelo site www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis, no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_Curitiba

 

 

FICHA TÉCNICA

 

Texto e direção: Marcos Damaceno

Elenco: Rosana Stavis

Composição e direção musical: Gilson Fukushima

Pianistas convidados: Sérgio Justen e Fábio Cardoso

Iluminação: Beto Bruel

Figurinos: Karen Brustolin

Direção de Produção: Bia Reiner

Assistente de Produção: Evandro Vicente

Foto: Maringas Maciel 


Serviço:


O que: A Aforista
Quando: 09 de abril às 21h e 10 de abril às 19h
Onde: Teatro Zé Maria dos Santos (Rua Treze de maio, 655, São Francisco)
Valores:  R$ 80,00 (inteira) R$ 40 (meia)


Ingressos: Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva do Shopping Mueller (piso L2), de segunda-feira a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 14h às 20h.
Classificação: 16 anos.
Duração: 60’