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sexta-feira, 14 de junho de 2024

Três espetáculos do grupo serão apresentados entre os dias 20 e 30 de junho

 

“Comemoramos 20 anos em Curitiba em meio a pandemia e desde então, sonhávamos em fazer uma comemoração digna para a data, agora, conseguimos”, contam os diretores da Alameda, Cristóvão de Oliveira e Galvani Carraro. 

Cafés Malditos

A Mostra de Repertório da Alameda Cia acontecerá no Teatro Zé Maria entre os dias 20 e 30 de junho de 2024 com três espetáculos: Cafés Malditos, Alumia e Eba! A Extraordinária Biblioteca de Alexandria, sendo os dois últimos voltado para o público infantil.

A companhia que surgiu em 1997 e se fixou em Curitiba há 22 anos, possui mais de 24 espetáculos ao longo de sua carreira, além de acumular prêmios como o Gralha Azul na categoria de Melhor Caracterização e Maquiagem por Alumia e o prêmio do Festival de Teatro de Pinhais como Melhor Caracterização e Maquiagem por Eba! A extraordinária biblioteca de Alexandria. Cafés Malditos também levou o prêmio de Pinhais em Melhor Espetáculo, Melhor Caracterização, Melhor Direção, Melhor Técnica.

“A Mostra Alameda traz a força e garra de nossa Cia. que está fazendo até agora toda essa movimentação com recursos próprios e sem patrocínio de nenhuma empresa de Curitiba, apesar de nossos esforços incansáveis. A principal coisa é consolidarmos a relação com o público que vem acompanhando nosso trabalho, especialmente desde 2023”, contam os diretores sobre a importância da Mostra para a cia.

O projeto surgiu bem antes da pandemia e veio sendo amadurecido pelos integrantes. “Há muito tempo estamos com vontade de   realizar uma mostra da Alameda, mas tivemos a pandemia e toda a retomada dos eventos culturais, então fomos deixando para mais tarde e, ano passado, resolvemos que estava na hora de mostrarmos nosso trabalho. 2023 foi um ano importante para o grupo pois nos dedicamos bastante ao grupo e pudemos perceber o reflexo disso no público que nos acompanha”, afirma Galvani.

Cafés Malditos é uma comédia dramática adulta que estreou em 2023 e já realizou 24 apresentações. O espetáculo trata da vida de Rute que é uma clássica mãe brasileira que cuida de absolutamente tudo para sua família. Desde encher as formas de gelo até a organização das festas de fim de ano. Mas ela não aguenta mais. Rute está cansada. Então decide planejar seu próprio velório. Somente desta forma, terá uma despedida digna e organizada. Ela chama a família e amigos. Todos aceitam, como sempre aceitaram suas regras. Rute inicia o ensaio de seu velório com a esperança de finalmente conquistar o descanso eterno. O problema é que, às vezes, nem tudo sai conforme planejado.

Já para o público infantil, a Cia traz Alumia, que no lusco-fusco, entre o dia e a noite, a menina Antônia se encanta com um vagalume piscando e o segue até o bosque. Sua curiosidade a leva para um universo que a fascina: o dos bichos!  Lá, a Dona Aranha conta e reconta sempre a mesma história, mas convive em harmonia com Tixa, uma lagartixa fashionista. Muito boa-praça, o Sapão vive por ali vigiando tudo enquanto Mustique e Pelotí, pernilongos franceses, fazem suas viagens. No entanto, acontece que os vagalumes PiscaPisca, Pisca-Alerta e Lamparina não conseguem resolver um grande problema: a falta de luz que assombra Antônia.

Já Eba! A Extraordinária biblioteca de Alexandria acompanha a jornada de Nico. Um duende desgarrado que se perdeu de sua aldeia quando estava em uma missão mundial: preservar o hábito da leitura! Sem conseguir voltar para casa, foi morar na Biblioteca de Alexandria onde passou a proteger os livros. Lá, ele conhece Ritinha, uma ratinha muito simpática que é grande admiradora da literatura. Só que Ritinha vive um dilema: sendo aluna do severo Professor Ratón na “Escola Superior de Roedores Especializados”, ela precisa roer livros para se formar! Mas ainda bem que a barata Doroteia, como guardiã de todas as histórias, está lá para encontrar outras soluções e evitar que algo ruim aconteça!

Na abertura das vendas que ocorreu esta semana a cia anunciou promoção de combos de ingresso e desconto para filiados do SATED/PR e estudantes de Teatro que vão até o dia 10 de junho.


PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA:

Cafés Malditos:

20 a 23 e 27 a 30 de junho – de quinta a sábado às 20h e domingo às 19h

 

Eba! A Extraordinaria biblioteca de Alexandria:

21 a 23 de junho às 15h

 

Alumia:

28 a 30 de junho às 15h

 

FICHA TÉCNICA DOS ESPETÁCULOS:

 

Cafés Malditos: Elenco: Cristóvão de Oliveira; Daphne Garcez; Heleno Rohn; Jeff Franco; Leandro Oliveira; Simone Klein; Vanessa Strelow. Músico: Ariel Rodrigues. Direção: Max Reinert. Dramaturgia: Amande Macedo. Iluminação: Nádia Luciani. Assistente de Iluminação: Rafael Araújo. Figurino e Cenografia: Paulo Vinícius. Cenotécnico: Jesmiel Leite. Assistente de Montagem da Cenografia: Alisson Lopes e Alexandre Luft. Costureiras: Cidinha Alves e Rose Matias. Retrato do Cenário: Vitor Dias (fotografia) Mayara Nassar (Makeup). Maquiagem: Cristóvão de Oliveira.  Identidade Visual: Daniel Olivetto. Fotografia: Juliana Luz/ Chico Nogueira. Produção: Galvani Júnior.  Realização: Alameda Cia Teatral.

 


Alumia: Elenco: Dani Machado, Patrícia Barros, Giovana Rodrigues, Helmann Padilha, Larissa Prestes, Victor Truccolo, Duda Tyzskouski, Wind Junior, Kellyn Bethania e Ianna Nogueira. Direção: Cristóvão de Oliveira. Dramaturgia: Alameda Cia. Teatral a partir do argumento de Kellyn Bethania.  Trilha Sonora: Larissa Prestes – composição | Ariel Rodrigues – arranjos. Direção Musical: Larissa  Prestes. Sonoplastia: Kellyn Bethania. Iluminação: Rafael Araújo. Cenografia: Dani Balhuk.  Cenotécnico: Jesmiel Leite. Coreografia: Dani Machado. Figurinos (Concepção e Confecção): Cristóvão de Oliveira. Maquiagem: Patrícia Barros e Cristóvão de Oliveira. Ilustração: Johnny Peter. Produção: Galvani Júnior. Realização: Alameda Cia. Teatral.

 


Eba! A extraordinária biblioteca de Alexandria: Elenco: Jeff Franco, Larissa Prestes, Juliana Luz. Direção: Cristóvão de Oliveira. Direção Musical: Mel Maia. Caracterização: Cristóvão de Oliveira. Confecção de Figurino e Adereços: Máscaras e Fantasias (Marcello Salles e André Posselt).   Iluminação: Nadia Luciani. Cenografia: Max. Operação de Som: Galvani Junior.

 

SERVIÇO:

Mostra Alameda Cia Teatral

Quando: 20 a 30 de junho

Onde: Teatro Zé Maria

Quanto: R$15,00 meia e R$30,00 meia

Promoção de combo: Na compra de 2 ingressos INTEIRA, o combo sai por R$50,00. Na compra de 2

Ingressos MEIA, o combo sai por R$25,00.

Desconto para filiados SATED/PR e estudantes de Teatro.

Compre seu ingresso através do link.

Siga a Alameda nas redes sociais: @alamedateatral

Foto: Divulgação. 

segunda-feira, 1 de abril de 2024

“Cabaré Chinelo” mostra o outro lado da belle époque em Manaus

  

Musical, que foi indicado ao Prêmio Shell, denuncia um grande esquema de tráfico sexual no auge do ciclo da borracha


Denunciando um grande esquema de tráfico sexual durante a belle époque manauara, quando a capital do Amazonas colhia a glória, o dinheiro e os vícios proporcionados pelo ciclo da borracha, o elenco da companhia Ateliê 23 chega agora à Mostra Lucia Camargo com o musical “Cabaré Chinelo”. As sessões acontecem nos dias 30 e 31 de março, respectivamente às 20h30 e às 19h, no Guairinha.

O espetáculo foi indicado ao Prêmio Shell de 2024, pela seleção do Júri de São Paulo, na categoria “Energia que vem da gente”.

“Na verdade, a belle époque foi produto de alguns poucos homens que detinham poder e dinheiro, e que fizeram com que a cidade fosse uma espécie de cartão-postal, mas, por trás disso, havia muito suor e sangue”, comenta o diretor Taciano Soares.

“Essa é uma história real que, inclusive, se perpetua até hoje. No centro de Manaus, as ruas ao redor do Hotel Cassina, onde era o Cabaré Chinelo, ainda sustentam mulheres prostituídas em condições sub-humanas, herança direta daquele período e do modo pelo qual os homens trataram os corpos e as vidas das mulheres.”

A montagem é inspirada na pesquisa do historiador Narciso Freitas e propõe ao público um mergulho nas primeiras duas décadas do século 20, por meio de recortes de jornal.

“Esse material está presente no programa do espetáculo e ficará disponível em QR code para a plateia”, explica Taciano. “Em algumas cenas, o público será convidado a abrir o arquivo e ler junto com a gente o que foi narrado pelos jornais.”

“Esses periódicos foram fundamentais para entender como tudo se dava, porque foi por meio das manchetes que tivemos acesso aos nomes dessas mulheres, suas personalidades e a essas histórias tão tristes”, comenta.

“Outra questão dessa pesquisa são as ISTs, infecções sexualmente transmissíveis vinculadas à presença das prostitutas e registradas em fichas de cadastro de saúde, que também vamos distribuir para a plateia. São documentos em que constam nome, origem e em que o termo ‘deflorada’ é usado para se referir à primeira vez das vítimas”.

O projeto, em parceria com a companhia de teatro argentina García Sathicq, tem apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), além da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e do Fondo de Ayudas para las Artes Escénicas Iberoamericanas – IBERESCENA.

A Mostra Lucia Camargo é apresentada por Banco do Brasil, Sanepar e Tradener - Comercialização de Energia, com patrocínio de EBANX, Banco CNH Industrial e New Holland, ClearCorrect, Copel – Pura Energia, Brose, UNINTER e GRASP.

Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba

www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo

Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba.

Serviço

“Cabaré Chinelo”

Mostra Lucia Camargo – 32º Festival de Curitiba

Datas: 2 e 3 de abril, às 20h30

Local: Teatro Zé Maria

Classificação: 18 anos (contém cenas de nudez)

Duração: 100 min

Gênero: musical

Ficha técnica

Direção: Taciano Soares

Co-direção: Jazmín García Sathicq

Dramaturgia: Eric Lima e Taciano Soares

Elenco: Allícia Castro / Ana Oliveira / Andira Angeli / Bruna Pollari / Daphne Pompeu / Eric Lima / Fernanda Seixas / Julia Kahane / Sarah Margarido / Taciano Soares / Thayná Liartes / Vanja Poty / Vivian Oliveira

Stand-in's: Amanda Magaiver / Grazi Dias / Iely Costa / Naomi Tokutomi

Direção musical e Coreografia: Eric Lima

Banda e Arranjos: Guilherme Bonates / Stivisson Menezes / Yago Reis

Assistência de direção: Carol Santa Ana / Eric Lima

Assistência musical: Guilherme Bonates / Sarah Margarido

Preparação corporal: Viviane Palandi

Preparação vocal: Krishna Pennutt

Cenografia: Juca Di Souza

Figurino: Melissa Maia

Iluminação: Tabbatha Melo

Operação de luz: Lore Cavalcanti

Maquiagem e Cabelo: Eric Lima e Taciano Soares

Bilheteria e técnica de palco: Titto Silva

Pesquisa histórica: Narciso Freitas

Fotografia e vídeo: Hamyle Nobre / Rudá Marques

Identidade visual: Eric Lima

Produção: Ateliê 23

Foto: Hamyle Nobre - Ateliê 23

quarta-feira, 27 de março de 2024

Kiko Mascarenhas, o amoroso manipulador de plateias

 

Espetáculo interativo tem segunda sessão na noite desta quarta, no Teatro Zé Maria, prometendo criar mais uma vez um espaço seguro e acolhedor para o público


Quem assistiu na noite de terça, 26, à primeira sessão de “Todas as Coisas Maravilhosas”, peça em cartaz na Mostra Lucia Camargo, saiu impressionado não só com o texto dos britânicos Duncan Macmillan e Joe Donahue – que trata de temas sombrios como depressão e suicídio de uma maneira que sublinha as coisas boas da vida –, mas também com a forma como o ator e protagonista Kiko Mascarenhas consegue manejar a plateia, que desempenha um papel fundamental no decorrer da história.

É que “Todas as Coisas Maravilhosas” não depende só de Kiko para ser bem-sucedida no palco. Precisa, também, que o público tope entrar no jogo e ajudar a desenrolar o enredo. E se no início os curitibanos presentes no Teatro Zé Maria se mostraram um tanto arredios, pouco tempo depois tinham embarcado de mala e cuia na proposta. O segredo?

“Eu sei o quão difícil pode ser para as pessoas aceitarem participar de uma peça interativa. A gente sempre é levado a crer que vai ser constrangido, exposto ao ridículo”, ponderou Kiko na manhã desta quarta, 27, durante entrevista coletiva no Hotel Mabu, poucas horas antes da segunda apresentação do espetáculo. “Então, se existe algum segredo, é que eu me coloco de uma forma muito acolhedora com a plateia. É uma interação sempre muito respeitosa.”

Funciona tão bem que, a partir de determinado momento, o auditório chega a se mostrar até mesmo ansioso por participar. “Ontem à noite, na cena em que uma moça da plateia pede o meu personagem em casamento, eu ouvia gente dizendo ‘aceita, diz sim logo’”, conta o ator. “Uma hora, todo mundo percebe que está no mesmo jogo, num lugar de segurança, de confiança.”

“A mágica é que o Kiko se coloca como ator ao lado, e não acima do público, inatingível. Ele não usa o espectador como objeto”, argumenta o diretor Fernando Philbert. “É um pouco arriscado. Pra fazer isso, você precisa ter um grande amor pela plateia.”

Responsável pela adaptação do espetáculo para o português, o dramaturgo Diego Teza atribui a adesão do público também ao texto, que inclusive faz exigências técnicas para nivelar intérprete e audiência. “É um pedido dos autores no próprio texto, por exemplo, que ator e plateia estejam sob o mesmo foco de luz, para eliminar as diferenças entre as partes”, explica, antes de continuar: “O tema é o suicídio, mas na verdade é uma peça sobre esperança. Sobre como você consegue continuar caminhando mesmo em momentos de desespero.”

O diretor concorda: “É uma dramaturgia que desarma as pessoas. Eu sempre tenho a impressão de que depois de assistir a essa peça, alguém sai e vai procurar ajuda, um amigo pra conversar”.

Para Kiko, que em “Todas as Coisas Maravilhosas” desenvolveu o hábito de ficar junto aos espectadores mesmo depois que a encenação termina, conversando com todos até que o último decida ir embora, a singeleza da obra tem poder curativo. “Nesses momentos, eu sempre ouço coisas muito fortes. De gente que perdeu um amigo que decidiu tirar a própria vida. Ou que tem um familiar que está lidando com a depressão. A pessoa se sente confiante pra se abrir. E eu estou lá pra dar um abraço.”

Uma pequena recompensa, digamos assim, para quem está completando 40 anos de carreira. “Olhando daqui, parece imenso, mas passou rápido”, diz. “É lindo chegar a esse ponto. Eu sempre esperei por isso. No início, a gente tem muitas dúvidas. Hoje, eu tenho pequenas certezas. A certeza de que não tomei o caminho errado, de que estou no lugar em que eu gostaria.”

Foto:  Annelize Tozetto.